O relacionamento abusivo não acaba quando termina: sobre a volta para casa.

Olá, queridos do Portal Noon! O artigo de hoje é sobre relacionamento abusivo.

A relação abusiva se alimenta de um ciclo, sendo parte dele a lua-de-mel, no qual o agressor promete não repetir o comportamento, chora, se mostra arrependido e muito apaixonado.

A lua-de-mel seria, em tese, a fase menos danosa do relacionamento abusivo, afinal a pessoa precisa parecer arrependida e apaixonada para que o ciclo continue.

No entanto, esta fase esconde um tipo de violência perverso, que é a mensagem passada para a mulher de que ela não é passível de ser amada.

De que ela possui algum defeito ou característica grave, que a impossibilita de ser amada, a não ser por aquele abusador, que no momento está no personagem de quem ama apesar de tudo.

Eu poderia escrever sobre as outras partes do ciclo, mas eu escolhi esta.

Pois, ela é grande responsável pela frase: o relacionamento abusivo não acaba quando termina.

Isto ocorre porque quando a mulher consegue sair da relação, ela sai com muitas mensagens e uma delas, que ecoa bem forte, é: eu não mereço ser amada, por ser quem eu sou.

Por isso, romper com este pensamento destrutivo, necessita de um caminho de volta para casa.

A casa que existe dentro de nós. Que por vezes, precisa ser reconstruída.

  • Vamos utilizar um mantra?

Ele está no livro da Barbara Fredrickson e esteve em um post-it  nos anos seguintes ao meu divórcio.

Sugiro que você anote, cole em um lugar visível e leia quantas vezes precisar: “eu sou merecedora de ser amada e respeitada, mesmo não sendo perfeita”.

Com o mantra em mãos, vamos seguir caminhando.

A volta para casa nada mais é do que um reencontro com você mesma. Com quem você era antes que te tirassem alguns pedaços.

Como disse a Clarissa Pinkola: “a vida nova está amarrada na raiz”.

O desabrochar depois de uma relação que te murchava, está justamente na raiz.

Naquele parte de você que resistiu. Ela vai te ajudar a lembrar do resto.

Um dia de cada vez.

Vá se lembrando de como você gosta da sua aparência, do seu gosto musical, do que gosta de comer, qual horário gosta de dormir, como você gosta da sua casa.

Tudo sobre você importa!

Resgatando quem você era antes do relacionamento, você poderá chegar a uma nova versão de você.

Não porque você precisa mudar. Mas porque querendo ou não, estamos em constante mudança.

  • Dê nome;

A relação abusiva te faz sentir culpa e mina sua autoestima, por isso, muitas vezes, negamos que ela existiu.

Falamos que não deu certos por vários motivos, que não o abusivo.

É uma forma de defesa comum que a gente “se esqueça” de algumas vivências, como realmente foram.

Porém, no caso de relacionamento abusivo é importante de manter atenta.

Ademais, falar liberta! Contar histórias é poderoso. Cada pessoas tem seu momento. Mas quando estiver pronta, converse sobre com pessoas confiáveis.

  • Como vive uma pessoa digna de amor?

Ao chegar de volta em casa, pense em como vive uma pessoa digna de amor.

Como ela se trata? O que ela pensa sobre si mesma? Como ela se relaciona? Como ela lida com a casa, comida e o sono?

Você é merecedora de ser amada. Por você e pelos outros. Cuide de você, se permita fazer coisas só por você sem se sentir egoísta. Fale sobre você com orgulho.

Por fim, não tenha medo de se perder. Você sabe o caminho de casa. “Você é o seu próprio lar”.

Sobre a autora:
Myrelle é advogada, terapeuta e empreendedora. Trabalha com e para mulheres. Fundou um escritório especializado em direito das famílias e na busca na resolução dos conflitos familiares se tornou terapeuta. Nessa jornada criou programas que abordam de transição de carreira à codependência emocional. Também é cofundadora da Juntas Curadoria, que promove negócios femininos locais. Mineira. Filha da Marciléa e neta de duas Marias.
Siga no Instagram: @myrellejacob



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Sobre Nossos Olhares

Passei a olhar de forma diferente para a vida, para meu semelhante e para o planeta. Voltei de uma jornada pelo mundo ainda mais inspirada a continuar olhando para minha transformação, e a compartilhar essa vontade para o maior número de pessoas possíveis, através de tudo que eu já tinha aprendido na vida, através da minha experiência.

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Juliana Faria - Idealizadora

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