Movimento é vida.

Acordei às 6h da manhã ainda com um pouco de preguiça, consequência de um final de semana mais lento. Mas mesmo assim me levantei, preparei meu café e comecei meu dia.

Eu sabia que essa atitude, essa decisão, de sair da inércia do final de semana, era importante para eu ter um dia cheio de energia, com bons pensamentos e uma semana produtiva. Sem contar em todos os benefícios químicos desta ação.

Tomei meu café, preparei as aulas do dia e fui correr. Meu corpo estava pedindo por este movimento.

Enquanto corria e me conectava com cada fibra do meu corpo, cada pensamento, cada sensação, pude observar quanta vida pulsava ao meu redor e que muitas vezes a inércia não nos permite ver, sentir, ouvir e tocar.

Era o sol tocando minha pele, o cheiro das árvores e plantas invadindo meu corpo, o barulho da movimentação das pessoas sob suas pernas, carros e bicicletas, o movimento do rio,  o vento, enfim, eu estava vendo a vida em ação, a vida em movimento.

Tudo isso me fez perceber como o movimento guia a minha vida, como ele é a MINHA vida.  Através do meu corpo eu desafio meus limites, desafios meus modelos mentais, desafio minha capacidade de realização. Através do movimento eu me curo, eu me conecto, eu me amo.

Mas esta relação de movimentação de corpo não é um privilégio meu, talvez eu só tenha já entendido e conseguido ter clareza deste importante processo para minha saúde, meu autoconhecimento, para minha VIDA.  

O movimento está presente em tudo no universo. Tudo que existe, desde o micro até o macro necessita do movimento para se manter equilibrado e vivo: átomos, células, órgãos, animais, planetas, galáxias – tudo se move.

Pare por 30 segundos e observe os movimentos que estão acontecendo agora no seu corpo. Sinta sua  sua pulsação, ouça sua respiração e seus pensamentos. Tudo isso é movimento, estes simples sinais podem indicar e te tranquilizar que você está vivo, de que está bem, em equilíbrio. 

No entanto, a movimentação é mais que movimento por si só. Ela traz toda uma significação da nossa existência. Há uma relação enorme entre o que somos, pensamos, acreditamos ou sentimos, e aquilo que expressamos, através de pequenos gestos, atitudes, posturas ou movimentos mais amplos.

Quando pensamos na formação do nosso corpo, o primeiro movimento vem do momento em que nossa vida foi criada, a corrida e o encontro (esperma e ovário). Depois vem a nossa formação dentro do útero, cada movimento de evolução para que o corpo se desenvolva. Nascemos e quando bebês, usamos nosso movimento para satisfazer nossas necessidades e nos proteger do frio, da fome e da dor. Como crianças, adolescentes e adultos, temos outros propósitos para nos movimentar: satisfazer curiosidades, desenvolver habilidades motoras, expressar e comunicar idéias, emoções, informações, etc.

No entanto, este corpo, que nasce está cheio de vida, de movimento e de flexibilidade, com o passar dos anos vai perdendo sua vivacidade e iniciam-se processos que quebram o equilíbrio corporal.  Quando o movimento é impedido de acontecer por qualquer motivo no nosso corpo, aparecem as doenças. Alguns exemplos: quando a insulina não consegue dar conta de carregar açúcar, surge a diabetes; quando as paredes das artérias estão rígidas, aumenta-se a pressão arterial; quando o intestino é ‘preguiçoso’ temos a constipação; quando as articulações não deslizam da maneira como devem por falta de movimento, surgem as artroses, tendinites, bursites; quando um músculo está encurtado surgem os desvios posturais.

O processo de desaceleração, de degeneração do nosso corpo é algo natural e devemos acolhê-lo com muito amor. Mas o ponto aqui é que estamos, literalmente, acelerando esta desaceleração. Usamos cada vez menos nosso corpo, afinal não precisamos mais dele para caçar, fugir de predadores ferozes ou lutar em guerras. Agora controlamos a nossa caça, dominamos os predadores e as guerras usam tecnologia. Aliado à tudo isso, nosso cérebro dobrou de tamanho, está mais eficiente e com ele encontramos soluções para milhares de problemas que tínhamos no passado e que resolvíamos através do corpo ou simplesmente nem existiam. Com isso, passamos a ter um corpo com menos movimento, um cérebro mais sobrecarregado e como consequência uma vida mais acelerada, estressante e com menos tempo para alimentação de qualidade e descanso apropriado.

Estamos usando nosso corpo cada vez menos e ele, que nasceu para o movimento, vai esquecendo como é se movimentar, vai esquecendo movimentos básicos como agachar, levantar, saltar, pular, esticar. Vai sendo cada vez menos usado e vai deixando de ser usual. Até nossas crianças, que antes brincavam muito, estão trocando o parque, a rua e a interação com coleguinhas por games, celular,  TV e casas fechadas. O resultado disso é um crescente número de crianças com quadros de  hipertensão e problemas cardíacos.

A boa notícia é que nada é tão estático que não possa ser alterado, ressignificado e desconstruído.

Nunca, repita comigo, nunca é tarde para você começar algo.

Nunca é tarde para você trazer movimento para seu corpo.

Nunca é tarde para aprender e reaprender.

Nunca é tarde para cuidar da sua saúde.

Nunca é tarde para você ressignificar a relação de exercício físico na sua vida.

E guarde isso, a inércia traz tristeza pra nossa vida. A pessoa depressiva ou triste, não quer se relacionar, se movimentar; o medo paralisa nosso pensamento/corpo; a raiva, a angústia e o ciúmes desviam a energia (movimento) do cérebro apenas para elas.

Já a felicidade, pode se observar no movimento, como por exemplo, uma criança que brinca, o homem que se exercita, o padre que reza (o pensamento está em ‘movimento’), as pessoas que conversam, que dançam, se relacionam e criam laços de movimentos diversos, sejam eles físicos, mentais ou espirituais demonstram alegria. Esteja vivo, esteja em movimento e esteja feliz!

Sobre a autora:
Sonia De Oliveira é educadora física, apaixonada por corrida e amante de uma vida saudável. Desde adolescente, quando descobriu este mundo jogando futsal, esteve envolvida no mundo do movimento. Ama dançar e já fez aulas de diversos ritmos, desde forró, tango, hip-pop até flamenca. Após uma mudança drástica em sua vida, em 2 anos viu duas sólidas relações sólidas se romperem, um casamento e uma demissão, resolveu mudar de país e se reconectou com sua paixão, o exercício e a saúde. Hoje é especialista em mudança de hábitos e tem um propósito de transformar a vida das pessoas através do exercício. Tem uma visão holística do ser humano, buscando integrar sempre corpo e mente, com suas experiência, individualidade e desejos. Baseada no seu propósito, ela criou o Programa ERA, um programa para mudança de hábito sustentável, pautada no ser humano no centro e com atuação em 3 pilares: exercício, reconexão(autoconhecimento e alimentação). Hoje ela dedica 100% do seu tempo para trabalhar em seu propósito.
Siga no Instagram: @soni_deoliveira

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Passei a olhar de forma diferente para a vida, para meu semelhante e para o planeta. Voltei de uma jornada pelo mundo ainda mais inspirada a continuar olhando para minha transformação, e a compartilhar essa vontade para o maior número de pessoas possíveis, através de tudo que eu já tinha aprendido na vida, através da minha experiência.

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Juliana Faria - Idealizadora

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