(Con)sumir menos para (con)viver mais.

Três anos atrás anos resolvi mudar de cidade e fiz minha primeira sessão desapego, e não foi com o objetivo de impactar ambientalmente, mas porque aquelas “coisas” já não representavam ser importantes na minha vida, me desapeguei de roupas, móveis, eletrodomésticos e da minha casa que eu tinha recém reformado, para viver algo novo em outra cidade. Depois de alguns meses, senti novamente a necessidade de me mudar e um sentimento de que eu não estava no lugar que eu deveria estar e novamente me desapeguei de casa, móveis, roupas e fui fazer um mochilão com meu filho pelo mundo, com pouquíssimas roupas e alguns equipamentos eletrônicos, como notebook e câmera fotográfica, embarcamos para uma das mais ricas experiências da minha vida.

Passamos 6 meses viajando e vivendo com muito pouco, tínhamos poucas roupas, não nos alimentávamos muito ou com comidas caras, dormimos em hostel, trocamos trabalho por hospedagem, e tivemos momentos extremamente felizes!  Ali eu percebi que ser e viver é muito mais gratificante e tem muito mais sentido na vida do que ter qualquer coisa. Eu tinha tudo que eu precisava, uma das pessoas que eu mais amava na vida, algumas roupas, sempre uma cama para dormir, alimento suficiente para nos nutrir, e muita experiência e alegria de conhecer novas pessoas, novos lugares e novas culturas. Do que eu precisava mais?

Na minha volta tive a certeza que não precisamos de muito para viver e sermos felizes, o mais importante era sermos aquilo que viemos para ser, é servir com aquilo que somos, aprender com outros seres, conviver com outras pessoas e lugares, se fazer parte de um todo, ser parte da natureza e do planeta e para isso não precisamos da roupa da moda ou do sapato mais caro. Precisamos apenas olhar para o que somos e expandir a nossa contribuição.

Pude observar que essa transformação começou por mim, ou seja, eu reduzi drasticamente meu consumo material e alimentar também, pois nesse período parei de comer carne, e não porque comer carne potencializa o impacto ambiental, porque ela não me fazia bem, não me sentia bem em colocar no meu corpo um ser morto, percebi que me corpo não digeria bem, então não era para ser ingerido.

Aos poucos, essa transformação que iniciou pelo meu próprio bem-estar e por uma consciência pessoal que estava surgindo começou a reverberar para o externo, comecei a estudar os impactos ambientais do consumo excessivo de coisas e alimentos de origem animal. A minha consciência aos poucos estava sendo expandida para uma transformação social e ambiental, e foi incrível ter consciência de todo esse processo, de que a minha consciência impacta positivamente ou negativamente em todo o planeta e que a minha mudança pode gerar algum tipo de transformação global.

Esse não é um comportamento só meu, mas de muita gente segundo uma pesquisa na Universidade de Duke nos EUA, sobre estilos de vida minimalistas. “Normalmente as pessoas adotam o minimalismo visando seu próprio bem-estar psicológico – para reduzir o estresse e cultivar a clareza mental, por exemplo”, explica a pesquisadora-chefe do estudo, Aimee Chabot. “Mas, à medida que sua prática evolui, suas motivações para buscar o minimalismo geralmente se expandem, passando a incluir fontes de motivação mais voltadas para o exterior, como preocupações ambientais ou éticas.”

Cada dia é mais forte a vontade de potencializar a minha transformação para que assim eu gere algum tipo de mudança social, e quem sabe com a nossa própria mudança inspiramos outros também a se conscientizarem. É uma rede que começa sempre com um ponto para o outro, e um desses pontos pode ser eu, você, sua família, e a cada movimento ela vai aumentando. Esse mundo é sobre humanos, animais, natureza, é sobre vida, e de como estamos conectados, pois quanto mais saudáveis e vivos ficamos se um cuidar do outro e todos cuidarem desse lar.  É sobre amar pessoas e não coisas. Então, o quanto você está focando suas ações em ser, ao invés de ter?

Sobre a autora:
Juliana Faria é formada em administração e especialista em gestão de projetos, trabalhou no mundo corporativo por anos, e após uma depressão se redescobriu através do autoconhecimento e das terapias alternativas. Se iniciou em várias terapias, como Reiki, Magnified Healing e Access Consciousness®. Além de escritora de coração, está iniciando sua jornada como empreendedora. Depois de deixar o mundo corporativo e realizar seu sonho fazendo uma viagem pela África e Europa com seu filho, decidiu disponibilizar todos os seus talentos e recursos para facilitar a transformação dela, das pessoas e do planeta. Através da Nossos Olhares poderemos transformar mais vidas com a troca de experiências e a potencialização do conhecimento de vários profissionais que estão focados no desenvolvimento humano e social. 
Siga no Instagram: @juhlfaria

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Sobre Nossos Olhares

Passei a olhar de forma diferente para a vida, para meu semelhante e para o planeta. Voltei de uma jornada pelo mundo ainda mais inspirada a continuar olhando para minha transformação, e a compartilhar essa vontade para o maior número de pessoas possíveis, através de tudo que eu já tinha aprendido na vida, através da minha experiência.

Esse espaço é para você compartilhar também as suas experiências.

Faz sentido para você?

Juliana Faria - Idealizadora

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